agosto 31, 2011

Por que a homossexualidade incomoda? Parte II





Ser diferente incomoda!
Acredito que existam duas formas de algo nos incomodar: para o bem, ou para o mal.

Incomoda-me (e me faz mal):

A mediocridade me incomoda
A violência me incomoda
A injustiça me incomoda
A submissão me incomoda
A hipocrisia me incomoda
A arrogância me incomoda
Buzina me incomoda
O preconceito me incomoda
... e por aí vai...

Mas também me incomoda (para o bem):

A arte de Raffaello, de Michelangelo, Da Vinci
A inteligência de Freud, de Einstein
A sensibilidade de Mozart, Beethoven, Bach
A leveza de Mikhail Baryshnikov
As composições de Chico Buarque de Hollanda (especialmente Construção)
A versatilidade de Meryl Streep
Os “vários” Fernando Pessoa
... e por aí vai...

Das duas, uma, ou nos incomodamos com algo que nos causa repulsa, ou com algo que gostaríamos de ser, e não somos.

Há pessoas que se incomodam com a maneira de ser de outros, com sua liberdade, com sua coragem.
Há também aquelas que reprimem dentro de si vontades e desejos, e sofrem por não poderem viver aquilo que realmente são, em função de valores e conceitos arraigados.
Há aquelas que têm medo de ser.
Acho pouco provável que o homossexual incomode por fazer mal a alguém, embora como ser humano isso não lhe escape, mas até aí qualquer pessoa é capaz de tal ato, tanto homossexual, quanto heterossexual.

Outra idéia que as pessoas têm em relação aos homossexuais é que todos sejam seres pervertidos, promíscuos, o que não é verdade. Aliás, devemos sempre lembrar essas pessoas que promiscuidade não faz parte deste ou daquele grupo, tanto pode haver pessoas promiscuas homossexuais quanto heterossexuais.
Muitos homens e mulheres indicados pela Sociedade como heterossexuais, mas que em muitos casos ficam no “armário”, como se costuma dizer, podem ficar nesse estado a vida toda, sem nenhuma manifestação prática, embora dentro de si, ele(a) traga guardado em secreto segredo o seu desejo. Neste caso pode haver duas situações:

- a situação em que a pessoa tem conhecimento de seus desejos secretos, porém se de sua índole brotar a mansidão, ela procurará ser compreensível com a condição da homossexualidade alheia. No máximo, em algumas situações esporádicas poderá tecer algum comentário mais picante, ou quem sabe satírico sobre o assunto, porém nunca de forma violenta e pejorativa.

- em contrapartida há pessoas que vivem a mesma situação interior, porém trazem características maléficas em sua índole, nesse caso o que brota é a raiva e o ódio, que na verdade não é pelo outro (o homossexual), mas por ela própria, por não ter coragem de admitir e aceitar o que realmente é. Talvez, bem lá no fundo, pessoas assim sintam grande admiração pela coragem do outro, e o real ódio seja por si mesma.

Há também as pessoas que têm inveja da liberdade do homossexual (ou suposta liberdade). O homossexual geralmente é auto-suficiente, tem bom emprego, não tem gastos com filhos, viaja muito, tem um nível cultural satisfatório, quase nunca se prende em um relacionamento, é sensível a ponto de conseguir compreender tanto um homem quanto uma mulher, veste-se bem, já que não tem compromisso com filhos, mora bem, e tantas outras “vantagens”, vamos dizer assim, em relação a muitos heterossexuais. Isso tudo incomoda.

Gostaria aqui de abrir um parêntese, e destacar uma situação interessante. Existem mulheres que vivem se apaixonando por homossexuais, eu conheço várias. Por que será? Bem, esse é um assunto para outro texto.

Por fim eu gostaria de colocar uma outra hipótese, entretanto devo dizer que não tenho conhecimento para tratar sobre tal assunto, mas seria interessante ler algum artigo de um psicólogo para desmembrar o tema. Estou me referindo ao falocentrismo, um conceito que traz como universo o gênero masculino, e tão somente o masculino como referência. Muito interessante, e eu gostaria de aprender mais sobre esse tema, estou lendo a respeito.

Procurei tratar aqui nesses dois textos sobre algumas hipóteses, que considero significativas para tentar entender essa infundada incompreensão e intolerância, acerca da homossexualidade, pois não consigo conceber que no alvorecer do século XXI ainda existam tantas pessoas sectárias neste planeta. Na primeira parte do texto, falei bastante sobre a cultura religiosa em razão de ter lido as centenas de comentários deixados pelas pessoas, por ocasião das polêmicas (para não dizer outra coisa) palavras de um certo deputado, relacionadas à homossexualidade. A maioria das pessoas que compactuam da mesma opinião dele foi unânime em citar Deus, a natureza humana e o pecado, por essa razão resolvi escrever sobre o assunto. Sei que elas não lerão esses textos, e pelo que percebi no tom dos comentários, posso dizer que nem ao menos o livro de que tanto falam lêem, mas fica aqui a minha indignação, mesmo que seja apenas para mim.
Se por acaso alguém se interessar pelo tema, e tiver outras hipóteses, por favor, fique à vontade.

Em tempo: Em 2010, 260 gays, travestis e lésbicas foram assassinados no Brasil. De acordo com um relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), a cada um dia e meio um homossexual brasileiro é morto. Nos últimos cinco anos, houve aumento de 113% no número de assassinatos de homossexuais. Apenas nos três primeiros meses de 2011 foram 65 assassinatos.

Texto: Geraldo Ráiss

Por que a homossexualidade incomoda tanto? Parte I



Há alguns anos venho pensando sobre isso, porém nenhuma resposta concreta vem à minha mente, talvez pelo fato de não existir resposta concreta, penso eu. O que me resta então, a não ser elaborar hipóteses?

Como todo assunto polêmico, esse é mais um tema longo, e eu diria “sem fim.” Questão sócio-cultural? Pode ser, em alguns casos. Li uma matéria há alguns dias, falando sobre o preconceito também existente dentro de uma tribo indígena, mas não podemos esquecer a influência sofrida pela civilização do “homem branco”. Essa tribo citada na matéria usa trajes como os nossos, e tem acesso às mesmas informações que temos.
Questão socioeconômica? É relativo, já que ser homossexual e ter situação financeira abastada, ou ser um intelectual, um artista, ou qualquer outra qualificação que torna uma pessoa “separada” do restante, poder-se-ia dizer que a condição homossexual não incomoda tanto. Será que estou errado?
Questão de ordem religiosa? Bem, nesse caso eu acho que as coisas mudam um pouco. Neste termo entenda-se a religião como “crença religiosa”, seus dogmas e tratados teológicos, e não no sentido de “conceitos sociais” ou filosóficos.

Todos nós sabemos da influência exercida pelas igrejas ao longo dos séculos, especialmente pela Igreja Católica Romana, no tocante a temas polêmicos, tanto na literatura (a Bíblia), como nas artes plásticas, e em maior tom no período do Renascimento e Alto Renascimento, seguido pelo movimento reformista de Martinho Lutero. Pois bem, não entrarei em detalhes para que a leitura não se torne cansativa, mas fico cá pensando com meus botões em várias contradições, indas e vindas, incoerências, traduções em cima de traduções, interpretações pessoais, encomendadas, etc, etc, e quanto mais eu leio, mais minha cabeça se “funde”, porém quanto mais detalhes, maior se torna a minha compreensão pessoal sobre tudo isso. Mas repito, são devaneios meus, coisas que passam pela minha mente desde que me entendi como um “ser pensante”, e que não reflete em absoluto, conceitos e considerações de outrem.

Por exemplo, penso na Roma Antiga, nos nobres da época, nos seus exércitos, que passavam anos a fio longe de suas mulheres, sem nenhum contato pessoal com elas, incluindo evidentemente o sexual. Penso na nobreza, que dispunha da prática homossexual como bem lhe aprouvesse com seus servos e escravos, e quase sempre, ou sempre, com o conhecimento de suas mulheres. Penso nos centuriões, qual deles não teria seu parceiro? Penso nos soldados e sua cumplicidade com o parceiro de batalha, a fim da proteção mútua, configurando assim grande estratégia de guerra. Enfim, eu me pergunto: “qual Roma estaria certa? Ou qual Roma era mais tolerante?”
Será que a tolerância da época era apenas uma simples conveniência, ou a verdade dos fatos foram trancados a sete chaves até hoje? Sim, porque tudo era traçado e executado com a anuência dos Papas, como até hoje é.

Voltando a falar sobre a Bíblia, quantas traduções até sua compilação, quanta diversidade e possibilidade de interpretação, quantos textos subtraídos (os chamados Apócrifos). Entretanto algumas partes me chamam a atenção, como por exemplo, a incrível e não muito bem explicada simpatia entre Davi e Jônatas. Abaixo transcrevo alguns trechos:

Segundo livro de Samuel, Capítulo 1, versículo 25-27. Palavras do rei Davi:
- como caíram os valentes no meio da peleja!
Jônatas sobre os montes foi morto!
Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas;
Tu eras amabilíssimo para comigo!
Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres!
(Esse trecho é no mínimo intrigante)

Primeiro livro de Samuel, Capítulo20, versículo 30O rei Saul, pai de Jônatas, dizendo:
- Então se acendeu a ira de Saul contra Jônatas, e disse-lhe:
Filho de mulher perversa e rebelde; não sei eu, que elegeste o filho de Jessé (Davi), para vergonha tua e para vergonha do recato de tua mãe?
Não vou me prolongar fazendo outras citações relacionadas, mas elas existem.
Quero, e preciso lembrar aqui, que não estou fazendo apologia à homossexualidade, a única coisa que eu gostaria de entender é exatamente o título do texto, ou seja, o porquê de tanto incômodo. Por que o homossexual, sendo minoria, tem esse “poder tão grande” de incomodar tanta gente, a ponto de gerar muitas vezes um ódio inexplicável? Também não posso afirmar que Davi era homossexual, como também ninguém pode, mas no mínimo ele tinha uma relação bastante íntima com Jônatas. Mais tarde ele se casou e teve filhos, no entanto também praticou adultério, como muitos homens faziam naquela época, tendo vários filhos e filhas com as chamadas concubinas.

A questão do pecado. Ser homossexual, afirmam alguns, é ir contra a natureza. Mas qual natureza? A natureza humana, ou a natureza como um todo? Sim, por que como explicar a homossexualidade entre os animais? Pesquisas e estudos realizados nos Estados Unidos comprovam essa prática em mais de sessenta por cento dos animais. Eu, inclusive já vi documentários da National Geografic mostrando desde a espécie dos símios, até aves, praticando o ato homoerótico, porém instintivamente procurando a fêmea quando da época para procriação. E aí devemos voltar ao esclarecimento sobre o termo usado erroneamente em relação à homossexualidade ser “opção”, o que comprovadamente não é, visto que um animal irracional não tem condições de fazer esse tipo de opção. Ou será que eles seriam mais racionais do que nós, convivendo dentro de uma incrível tolerância?

Mas por que falei em pecado? Porque se formos considerar como pecado, não podemos esquecer de outros pecados, como incesto, adultério, pecado original, afinal a Bíblia está cheia deles. Logo de cara temos dois: o dito “pecado original” e o incesto, ambos protagonizados por Adão e Eva. Esclareço que eu particularmente não acredito em nenhum dos dois, e não estou sendo leviano em dizer isso, já que a explicação vem da própria Bíblia, a saber:
Primeiramente devemos pensar, se o ser humano foi feito para se multiplicar, qual então seria a outra forma de fazê-lo? E onde está aí o pecado?
Segundo: sobre o incesto. Se essa estória fosse verdadeira, só existiriam duas formas para a constituição de uma civilização, ou seja, Eva ter tido relações sexuais somente com o parceiro (Adão). Neste caso os dois filhos teriam de aguardar a vinda de uma irmã para manterem relações sexuais, o que ficaria caracterizado o incesto. E não havendo nem uma coisa, nem outra, certamente haveria também a prática homossexual entre os irmãos, já que o ser humano tem desde então suas necessidades fisiológicas. E aí eu pergunto: por que o incesto é considerado pecado hoje em dia? Teriam eles outra opção? E no caso de Eva ter mantido relações com os filhos: incesto. Não consta que Eva tenha dado à luz, uma menina.
Terceiro: a hipótese de Adão e Eva serem os primeiros habitantes da Terra é refutada também no próprio livro Gênesis, descrito abaixo:

- Capítulo 4, versículo de 15 a 17O Senhor, porém lhe disse (a Caim): Assim qualquer que matar a Caim será vingado sete vezes. E pôs o Senhor um sinal em Caim para que o não ferisse de morte quem quer que o encontrasse.
Retirou-se Caim da presença do Senhor, e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden.
E coabitou Caim com sua mulher, ela concebeu e deu à luz a Enoque, Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho.
Acho que não preciso comentar. Quem poderia matar Caim caso o encontrasse, se não havia mais ninguém no planeta? E de onde saiu sua mulher, que estava ao oriente do Éden?

Você que está lendo esse texto, deve estar se perguntando o porquê de eu estar citando um assunto que aparentemente foge do título, entretanto devo dizer que não há como investigar o tal “incômodo” sem falar sobre pecado, já que a maioria das pessoas acham que ser homossexual é ser um pecador, imundo aos olhos de Deus e delas próprias.

Essa foi a primeira parte desse texto. Na segunda parte continuarei levantando minhas hipóteses, porém mais voltadas aos nossos dias atuais.

Texto: Geraldo Ráiss

Dormindo com o inimigo

Certamente você se lembra do filme protagonizado por Julia Roberts e Patrick Bergin, mas não é sobre ele (o filme) que vou escrever, apenas peguei emprestado o título por conveniência. Quantas vezes ao longo da sua vida, você ouviu alguma notícia sobre os países nórdicos, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Islândia e Suécia?

Noruega, 22 de Julho, 77 pessoas mortas no duplo atentado cometido pelo fundamentalista cristão e ultradireitista Anders Behring Breivick. Exatamente como o título do texto diz, hoje em dia não se sabe mais quem é o lobo, pois de uma hora para outra ele pode emergir daquele cordeiro que não poderíamos sequer imaginar. Assim está o mundo em que vivemos hoje, o inimigo pode estar residindo em frente à nossa casa, ao lado, ou ainda na mesma rua, muitas vezes sempre polido, amigável e cortês, no entanto não temos condições de saber o que realmente ele carrega dentro de si.

Geralmente procuramos nos proteger do perigo evidente, e acabamos esquecendo que nem sempre o perigo vem escrito com letras garrafais. Veja novamente a foto de Breivick, você poderia imaginar que por trás desse rosto bonito, aparentemente calmo, residiria um terrorista psicopata? E o que dizer da frase “imagem é tudo”? Será que é mesmo?
Tudo bem, via de regra o psicopata demonstra algumas características que podem ser identificadas talvez por um psicoterapeuta, por exemplo, alguns desvios comportamentais sugeridos, como ser antissocial, contudo o contrário também é possível. Acredito que a mente de um indivíduo com esse tipo de distúrbio funciona como uma mensagem subliminar para ele próprio, ou seja, depois de tantas repetições sobre o mesmo tema ou finalidade o cérebro acaba captando a mensagem, iniciando nesse exato momento o processo da finalização.

Ultimamente temos visto em todas as mídias fatos semelhantes pelo mundo todo, atiradores invadindo escolas nos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, e recentemente no Brasil. Se formos traçar os perfis baseados no relato de vizinhos e conhecidos desses indivíduos, veremos que todos eles demonstravam ser pessoas calmas, atenciosas e “legais”, muitas vezes não sugerindo nenhum tipo de agressividade. Mas, qual será a força propulsora dessa motivação? Fanatismo político e religioso, bullying reprimido sofrido na infância, imposições sociais estéticas e de modismo, posições sociais extremas, excesso de informação mal computada pelo cérebro? São tantas perguntas. O fato é que devemos ficar alertas, e para os que têm filhos, nunca esqueçam do diálogo aberto e da vigia constante, pois o inimigo pode estar mais perto do que possamos imaginar, sem falar do constante aviso da polícia em relação ao uso da Internet pelos adolescentes.

Um detalhe interessante: aqueles que praticam esse tipo de violência e não suicidam costumam declarar “isto era necessário”, resta saber para quem, e para que.



Minha outra metade

Você está disposto a perder sua identidade? É simples, alimente dentro de você que está pela metade.
Muitas pessoas levam a sério frases do tipo “procuro minha outra metade” ou “metade da minha laranja”, e sentem-se tão convictas disso que o dia que acreditam ter encontrado, vão ao longo do tempo se perdendo, se aniquilando, e o pior, se anulando. Quando eu era mais jovem, lá pelos meus vinte e poucos anos, talvez devido às minhas inseguranças (não que hoje seja completamente seguro), ou um romantismo exagerado próprio da idade, também cheguei a pensar assim, entretanto com um pouco mais de experiência adquirida ao longo da vida, vejo que esse tipo de procura só me trouxe malefício.

Hoje o que eu procuro é simplesmente companhia de vida, amante sim, porém uma pessoa inteira e íntegra, uma companhia que siga comigo o resto de caminho pela vida, inteira dentro de seus propósitos, forte e fraca dentro da normalidade humana. Não procuro alguém igual a mim, para isso basta me olhar no espelho, procuro sim uma “laranja” inteira, com sucos azedos e doces, e sementes fertilizadoras, com “neuras” também, por que não? Quem não as tem? Não procuro perfeição, eu não sou perfeito.
Hoje não caio mais na armadilha da “minha outra metade” pelo simples fato de eu não ser metade de ninguém, pois sou pessoa inteira, e se existem outras partes, elas fazem parte apenas de mim, estão em mim, e cabe a mim juntá-las uma a uma como se fosse um jogo de quebra-cabeça, até me formar por inteiro. Definitivamente não procuro minha outra metade.

Um dos grandes perigos desse tipo de procura é exatamente ficar pela metade no meio do caminho, perdido e anulado, enquanto a outra suposta metade resolve experimentar o “sabor diferente” de outra laranja. Os danos nesse caso são grandes, como diz a música. você vai ficar ”sentado à beira de um caminho que não tem mais fim”, e continua... ”preciso lembrar que eu existo”... Lembre-se disso antes que seja tarde.
Portanto não espere encontrar a sua “outra metade”, espere encontrar alguém que o compreenda, fiel aos seus princípios, ético, que o respeite, e sobretudo que seja inteiro e não pela metade. Não procure perfeição, mas sim façam ambos um pacto pela melhoria, pelo relacionamento saudável e pelo ensinamento mútuo, enfim, em prol do crescimento.

Talvez nos tempos em que vivemos atualmente, que tudo parece ter de ser rápido e efêmero, os mais jovens ainda não têm consciência disso, contudo os dias e os anos também cavalgam com rapidez estonteante, e num belo dia chegamos à conclusão de que ao longo da vida estimulamos conceitos romanescos passageiros em detrimento de valores essenciais, duráveis e verdadeiros. Um relacionamento repleto de romantismo é tudo o que queremos, mas que seja apenas romântico e não fantasioso a ponto de nos tornarmos metade de algo, ou de nós mesmos. Sejamos inteiros e procuremos parceiros inteiros, porque duas metades serão sempre metades, e duas metades serão sempre dependentes uma da outra, sem identidades próprias. O custo disso? Lamento, e autoestima baixa.
Só podemos dar ao outro aquilo que somos e temos por inteiro, e vice-versa.

É aterrorizante!

As autoridades do Equador fecharam ao longo deste ano cerca de 30 clínicas ilegais que consideravam homossexualidade uma doença e que ofereciam "cura" a ela, enquanto grupos simpatizantes à causa gay estimam que haja cerca de 200 centros deste tipo no país. "Dizem que são 200 no país, é possível. Se nós fechamos quase 30, seria muito importante que denunciassem (os afetados) para que todas (as clínicas ilegais) fossem fechadas", disse em entrevista à Agência Efe o vice-ministro da Saúde Pública do Equador, Nicolás Jara.

Karen Barba, representante da ONG equatoriana Causana, explicou que essas clínicas funcionam em centros de reabilitação de dependentes químicos, aparentemente legais, mas que violam a Constituição ao oferecer "tratamento" para a homossexualidade.
Paola Ziritt, de 28 anos, ficou dois anos internada em um desses centros, onde "foi perdendo as forças para viver", após sofrer abusos - inclusive sexuais -, insultos e tortura, como ficar algemada, permanecer dias sem comer e levar surras. Os guardas do estabelecimento chegaram a jogar urina e água gelada nela.

"Foi humilhante, horrível", afirmou Ziritt, que sofreu tudo isso em apenas três meses no centro, algemada em um quarto sem nada, nem sequer luz.
A mãe de Ziritt foi quem a internou na clínica, pois na época acreditava em "cura" para a homossexualidade, mas depois acabou tirando-a de lá após receber uma carta secreta da filha.

Fonte: UOL Notícias - Link para o artigo do site

Carta de Abraham Lincoln ao professor de seu filho

"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, para cada egoísta, há um líder dedicado.

Ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada.
Ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso.

Faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.

Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.
Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor."

Abraham Lincoln, 1830

Abraham Lincoln (Hodgenville, 12 de fevereiro de 1809 — Washington, 15 de abril de 1865) foi um político estadunidense, 16° presidente dos Estados Unidos, de março de 1861 até seu assassinato em abril de 1865. Foi oponente declarado à expansão da escravidão, abolindo-a nos Estados Unidos. Primeiro presidente americano a ser assassinado.

Charles de Gaulle

Existe na história a famosa e polêmica frase do presidente francês Charles de Gaulle (1890-1970) ‘O Brasil não é um país sério!”. Na época muitos não conseguiram engolir tal afirmação, contudo a frase ecoa até hoje e acabou se tornando popular no país. Mas, enfim o que (ou quem) não são sérios no país? Os governantes, as leis ou o povo?

De lá para cá muita coisa mudou, e digamos, para melhor. Por exemplo, não vivemos mais uma ditadura, temos liberdade de expressão, código do consumidor, ONGS, direitos trabalhistas adquiridos, e por aí vai. Então qual a razão dessa frase ainda persistir?  Bem, aí são detalhes. Detalhes? Vamos tentar lembrar alguns.

- No Brasil não há mais corrupção no Governo, nenhum parlamentar legisla em causa própria. Quando existem CPIs, todas são solucionadas, tudo é apurado, e os envolvidos e culpados são punidos. O nepotismo foi banido totalmente, imunidade parlamentar é coisa do passado.
- A famosa lei de Gerson também não existe mais entre o povo brasileiro, finalmente todos entenderam que não se deve fazer ao semelhante aquilo que não se deseja para si mesmo. Ninguém passa ninguém para trás.
- O Código do Consumidor funciona  a todo vapor, nenhuma empresa seja ela nacional ou multinacional lesa ninguém, haja vista a quantidade de reclamações no PROCON. São pouquíssimas!
- No Brasil não existe preconceito de forma alguma, todos somos livres, afinal vivemos num país “libre”. Preconceito é coisa de Primeiro Mundo. Ninguém aqui mata ou agride outro ser humano apenas por “brincadeira”, ou por não partilhar de ideias, orientação sexual, raça, etnia. Não, isso não existe em nosso país, e vez ou outra quando acontece, o agressor é punido, desde que hajam testemunhas in loco.
- O Estado é laico, não existe interferência das instituições religiosas no que diz respeito às leis, muito menos troca-troca de interesses para aprovação de novas leis.
- O Código Penal brasileiro, criado pelo decreto-lei nº 2.848, em 7 de dezembro de 1940, no governo Getúlio Vargas, sofreu algumas alterações valiosas, não existem brechas.
- No Brasil não há policiais corruptos, e por que haveria, se todos ganham muito bem.
- Nosso país não é machista, e isso podemos comprovar nos salários igualitários do homem e da mulher.
- A Educação e Saúde no Brasil são prioridade.

Pois é, Charles de Gaulle falou bobagem, mesmo porque se ele estivesse vivo ainda hoje, poderia tomar conhecimento de grandes projetos brasileiros, como a distribuição gratuita de medicamentos de alto custo a portadores do vírus da AIDS. Este sim, é o país dos avanços, e poderíamos provar para ele onde vão os bilhões de reais pagos em impostos pelo nosso povo (agora ironizando mais uma vez).

Eu amo o meu país, e verdadeiramente desejaria o contrário de tudo isso que relatei, com exceção do último bloco, pois quantas vidas brasileiras foram e são salvas, através desse fantástico projeto pioneiro.
A verdade é que o Brasil se encontra na fase de maturidade, e o quadro que presenciamos atualmente é o prenúncio do futuro desenvolvimento, que eu gostaria de ainda estar vivo para presenciar. Entretanto, para que esse novo estado se manifeste, são  necessários alguns fatores como educação, lealdade à democracia, ética, infraestrutura em setores primordiais como saneamento, e principalmente o exemplo positivo dos nossos governantes. Acredito que só assim o povo brasileiro poderá exterminar de uma vez por todas o efeito da frase de Charles de Gaulle, que também disse:

“Os homens só serão grandes, se estiverem realmente decididos a sê-lo.”

“Como nenhum político acredita no que diz, fica sempre surpreso ao ver que os outros acreditam nele.”

Texto: Geraldo Ráiss



Amigo é um presente

Amigo é um presente

“Amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito, dentro do coração.”

Assim fala a canção, mas metáforas à parte, eu diria que amigo é para se guardar na alma, dentro de uma caixa que chamamos de cérebro.
Amigo é aquele que sempre está presente, mesmo não estando, pois quando se guarda um amigo dentro dessa magnífica caixa guardamos também suas palavras, seu tom de voz, seus gestos, palavras essas, às vezes de aconselhamento, compreensão, outras vezes nos trazendo à realidade, e em outras comungando de nossos sonhos e ideais. Amigo é quase uma parte de nós, aquela parte que não saímos à procura, acontece de chofre, sem que precisemos ir em busca. Amigo acontece. Amigo quase sente o que sentimos, é como se estivesse dentro de nós, quase numa simbiose, é aquele que perdura por toda uma vida ou várias vidas sem que percebamos ao certo, mas que de uma maneira ou de outra identificamos.

Amigo do peito é na verdade amigo da alma, feliz quem tem um amigo, mais feliz ainda quem tem dois, ou três, e não importa o quão distante estamos dele, a um simples chamado eis que ele vem, e não necessariamente presencial, pois ao menor chamado daquela nossa caixinha ele estará ali, “espectralmente” presente.

Nesses novos tempos de tecnologia avançada criamos os “amigos virtuais”, aqueles que não estão no lado esquerdo do peito, e sim no lado esquerdo da tela do computador, exatamente onde fica o tal do MSN. Cada qual com suas fotografias digitalizadas, não amareladas pelo tempo, sempre vivas e coloridas, porém sem vida, estacionadas ali sem que em momento algum nos proporcione o contato físico, e como num passe de mágica de repente ela (a imagem) some, a dar lugar a um outro “amigo”. Essa é a tecnologia da amizade virtual, a tecnologia da quantidade, e não da qualidade.

Amigo do peito... Que prazer eu sinto em ter provado desse amigo nos dias da minha vida, que felicidade poder levá-lo comigo dentro da minha alma pelo resto dos meus dias. Sim, amigo é para se guardar, guardar dentro daquela caixinha como uma jóia rara, de grande quilate, e saber que por mais que o tempo passe, essa jóia estará sempre intacta, sempre brilhando aos nossos olhos. Se você tiver a sorte de ter uma jóia assim, valorize-a, pois saiba que mais dia, menos dia, você vai precisar estender sua mão para alcançá-la na caixinha, e tenha certeza de que ela estará sempre lá, sem perder o seu real valor.

***Mesmo que o tempo e a distância, digam “não”
    Pois seja o que vier, venha o que vier,
    Qualquer dia amigo eu volto a te encontrar,
    Qualquer dia amigo, a gente vai se encontrar.



***Trecho de Canção da América, de Milton Nascimento e Fernando Brant


Texto: Geraldo Ráiss

O medo e a imunidade

Estudos realizados na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, comprovam o que há muito tempo a medicina alternativa já sabia, nossa imunidade tem ligação direta com algumas sensações experimentadas no dia a dia. Isso não quer dizer evidentemente que todas as doenças partem desse princípio, contudo pode-se concluir que muitas delas são geradas em circunstâncias adequadas de baixa imunidade.

Todos nós atualmente, em especial as pessoas que vivem em grandes metrópoles, são obrigadas a conviver dentro de uma enorme exposição a tais sensações, como por exemplo, o medo, a insegurança, competição, a dúvida em relação a um futuro próximo, e tantas outras situações. Eu poderia citar aqui inúmeros motivos que contribuem para uma espécie de cansaço mental, porém o medo, acredito eu, é o maior vilão.
Temos medo de tudo, se vamos a um restaurante há a probabilidade de sermos assaltados, como tem acontecido frequentemente na cidade de São Paulo, o mesmo pode acontecer em uma praia qualquer, os arrastões, sem contar a parada obrigatória nos faróis. Por incrível que possa parecer hoje em dia temos medo até de atender a uma chamada telefônica.

Toda essa contribuição negativa, não tenha dúvida, só acaba gerando um nível de estresse altíssimo, e em conseqüência desse estresse adoecemos. Não é raro hoje em dia encontrarmos pessoas com reclamações semelhantes, do tipo enxaquecas, cansaço físico, dores nas costas, estado gripal freqüente, e muitos outros sintomas, e isso quer dizer o quê? Não quer dizer nada além de um pedido de socorro do nosso corpo, entretanto a vida está muito corrida, o tempo tem passado rápido demais, e assim “vamos levando”, até que um dia não suportamos mais o fardo, e sucumbimos. O corpo avisou que poderia não agüentar, mas as circunstâncias da vida atual nos impediu de socorrê-lo.

E o que fazer diante desse quadro recorrente, o que fazer, se ao sintonizarmos qualquer canal de televisão para assistirmos ao telejornal, nos deparamos tão somente com notícias trágicas? Além, é claro, do alto grau de corrupção que assola o país?  Eu não saberia responder, acredito que cada um de nós tem de encontrar nossos próprios mecanismos de defesa, e isso vai depender da maneira como é resolvida toda essa questão intimamente, pois não podemos esquecer que o nosso sistema imunológico está alerta.
Algumas dicas importantes são dadas pelos profissionais da saúde corporal e mental, tais como, atividade física, relacionamento social ativo, lazer, boa alimentação, tudo isso auxilia na expulsão do estresse diário, além de outra dica importantíssima, ter prazer com o que nos propusermos a fazer em relação ao trabalho. Quem sabe assim conseguimos sobreviver ao caos planetário.

agosto 30, 2011

A mentira e suas várias faces

Há um momento na vida em que, graças ao domínio de mecanismos sofisticados da inteligência, aprendemos a mentir. Mentimos jogando com as palavras, contendo gestos, assumindo posturas convenientes – e das quais discordamos – para aliviar tensões. Tentamos esconder aquele traço da nossa personalidade que não nos agrada assumindo uma maneira de ser mais apropriada. São tantas as possibilidades de escamotear a verdade que o mais prudente seria olhar o ser humano com total desconfiança – pelo menos até prova em contrário.

Ainda que sentir medo e insegurança faça parte da natureza humana, fingimos que tudo está sob controle e que nada nos abala para ocultar nossa fragilidade. Acreditando no que vêem, os outros passam a se comportar como se também não sentissem medo. Mentem para não parecer frágeis e inferiores diante daqueles que julgam fortes.

Nesse teatro diário, alimentamos o círculo vicioso da dissimulação. Minto para impressionar você, que me impressionou muito com aquele jeito fingido de ser – mas que me pareceu genuíno. Não seria mais fácil se todos admitíssemos que não somos super-heróis e que não há nada que nos proteja das incertezas do futuro?

Em geral, quem não aceita o próprio corpo evita praias e piscinas. Diz que não gosta de sol, quando, na verdade, não tem estrutura para mostrar publicamente aquilo (a gordura, a magreza ou qualquer outra imperfeição) que abomina. É o mesmo mecanismo usado pelos tímidos, que não se entusiasmam muito por festas e locais públicos. Em casa, não precisam expor sua dificuldade de se relacionar com desconhecidos.
Temos muito medo de nos sentir envergonhados, de ser alvo de ironias que ferem nossa vaidade. É para não correr esse risco que muita gente muda de cidade depois de um abalo financeiro. Melhor ser pobre e falido (e encontrar a paz necessária para reconstruir a vida) onde ninguém nos conheceu ricos e bem-sucedidos!

Até aqui me referi às posturas de natureza defensiva, que servem de armadura contra o deboche, as críticas e o julgamento alheio. Há, no entanto, um tipo perverso de falsidade: a premeditada. Pessoas dispostas a se dar bem costumam vender uma imagem construída sob medida para tirar vantagem.

Um homem extrovertido e aparentemente seguro, independente e forte pode ter criado esse estereótipo apenas para cativar uma parceira romântica. Depois de conquistá-la, revela-se inseguro, dependente e egoísta.

Mulheres sensuais podem se comportar de maneira provocante para despertar o desejo masculino – e sentir-se superiores aos homens. Vendem uma promessa de intimidade física alucinante que raramente cumprem, pois são, em geral, as mais reprimidas sexualmente. O apelo erótico funciona como atalho para os objetivos de ordem material que pretendem alcançar.

Não há como deixar de apontar a superioridade moral daqueles que mentem por fraquezas quando comparados aos que obtêm vantagens com sua falsidade. O primeiro grupo poderia se distanciar ainda mais do segundo se acordasse para uma verdade óbvia e fácil de enfrentar. Aquele que me intimida é tão falível e frágil quanto eu. E – nunca é demais lembrar –, para ele, eu sou o outro que tanto lhe mete medo.

Por Dr. Flávio Gikovate

A ditadura da estética


Responda a pergunta: que tipo de pessoa você é? Não, não estou falando de caráter, estou falando do tipo de pessoa que você mostra querer ser, ou ainda, o tipo que os outros aceitam, ou pior, o tipo que você precisa ser. Sim, porque parece que de uns tempos para cá existe uma quase necessidade de mostrar o que muitas vezes não somos, é como se houvesse uma sutil negação de si mesmo.
O que está valendo no momento atual, você já parou para pensar sobre isso? Já parou para pensar em como você é avaliado no seu dia a dia? Quais os critérios utilizados pelas pessoas para lhe receber em seus círculos de amizade? Relacionamentos então...
Pois é meu caro leitor, estamos vivendo em uma ditadura, e acredito que muitos de vocês sabem do que estou falando. Não se trata de regime governamental, entretanto não deixa de ser uma espécie tirânica de uma Sociedade movida a padrões constituídos por modismos muitas vezes impostos pela indústria da beleza, e sustentada pela mídia.

Manter-se saudável é prazeroso? Sim, evidente que é, além de ser uma questão de saúde pública, mas daí querer transformar os frágeis seres humanos que somos, em bonecos de deuses do Olimpo é um pouco demais. Você acha que estou exagerando? Então me responda: quantas embalagens de produtos cosméticos você tem em casa? Quanto você gasta por mês na academia? Quanto de complexos vitamínicos? Quanto de roupas de grife? Sem contar os perigosos anabolizantes. E você mulher, quanto gasta por mês no salão de beleza? Pois é, faça as contas.
Tudo bem, a não ser que você seja um Ronaldo “o fenômeno” (leia-se milhões de dólares), poderá se dar ao luxo de exibir até uma tal “barriguinha”, mas fique calmo, no máximo sua foto ficará exposta por uma semana na mídia, nada mais do que isso. E você acha que ele está preocupado? Mas se acaso esse não for o seu caso, saiba que está a um passo para a exclusão. Mais uma vez estou exagerando?

O que estou querendo dizer com isso? É simples, hoje em dia você vale por aquilo que tem, ou aparenta ter, e não pelo que você é. Na verdade vivemos uma ditadura cruel e silenciosa em relação aos valores reais, onde a ética e a palavra já não valem quase nada. E o que vale? Vale o corpo malhado, os dentes brancos como um iceberg, as unhas impecáveis, o carro do ano, a camisa Armani, os óculos Dolce & Gabbana, é isso que vale. Infelizmente. E o pior de tudo isso é viver em um país onde a distribuição de renda e a desigualdade social estão entre as piores do planeta, e no caso desse texto, as pessoas sentirem a terrível necessidade de se igualarem (nem que for de longe) a uma minoria que dita padrões.
Mais um exagero meu? Então preste atenção, a partir do mês que vem (setembro) fique atento aos veículos de comunicação de mídia, conte quantas vezes você lerá a seguinte manchete “Fulana (ou fulano) dá tudo de si na academia para chegar em forma no verão”. Ou então: “Aprenda uma maneira rápida para endurecer o bumbum, e adquirir músculos para ficar linda (ou lindo)”. E por aí vai. Estará aberta mais uma temporada da beleza física. A indústria dos milagres agradece!
Conclusão: será que não é o caso de sugerir um movimento do tipo “PARADA DO ORGULHO DE SER NORMAL”? Seria demais, não é mesmo, afinal o que é ser normal? Tudo bem, troque as palavras “ser normal” por alguma coisa como “não ser malhado”, ou “não ser sarado”, ou ainda “ser saudável sem ter um tanquinho”. Use a sua imaginação,  afinal de contas,  Parada agora é moda!

Por favor, não confunda esse texto com alguma coisa do tipo “então quer dizer que devemos ser desleixados?” ou  “esse cara que escreveu isso não gosta de beleza”. Não é nada disso, é claro que gosto da beleza, quem não gosta? O propósito do texto é chamar a atenção para os exageros e a exclusão, que no caso do exagero pode gerar doenças como anorexia, e a exclusão pode culminar com rejeição e depressão.

A seguir, uma “palavrinha” de certo político e jurista brasileiro, que também era pensador e escritor, e por que não dizer profeta? Rui Barbosa (1849-1923).

“A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade... Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real.”
Será que ele exagerou?