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agosto 31, 2011





Ser diferente incomoda!
Acredito que existam duas formas de algo nos incomodar: para o bem, ou para o mal.

Incomoda-me (e me faz mal):

A mediocridade me incomoda
A violência me incomoda
A injustiça me incomoda
A submissão me incomoda
A hipocrisia me incomoda
A arrogância me incomoda
Buzina me incomoda
O preconceito me incomoda
... e por aí vai...

Mas também me incomoda (para o bem):

A arte de Raffaello, de Michelangelo, Da Vinci
A inteligência de Freud, de Einstein
A sensibilidade de Mozart, Beethoven, Bach
A leveza de Mikhail Baryshnikov
As composições de Chico Buarque de Hollanda (especialmente Construção)
A versatilidade de Meryl Streep
Os “vários” Fernando Pessoa
... e por aí vai...

Das duas, uma, ou nos incomodamos com algo que nos causa repulsa, ou com algo que gostaríamos de ser, e não somos.

Há pessoas que se incomodam com a maneira de ser de outros, com sua liberdade, com sua coragem.
Há também aquelas que reprimem dentro de si vontades e desejos, e sofrem por não poderem viver aquilo que realmente são, em função de valores e conceitos arraigados.
Há aquelas que têm medo de ser.
Acho pouco provável que o homossexual incomode por fazer mal a alguém, embora como ser humano isso não lhe escape, mas até aí qualquer pessoa é capaz de tal ato, tanto homossexual, quanto heterossexual.

Outra idéia que as pessoas têm em relação aos homossexuais é que todos sejam seres pervertidos, promíscuos, o que não é verdade. Aliás, devemos sempre lembrar essas pessoas que promiscuidade não faz parte deste ou daquele grupo, tanto pode haver pessoas promiscuas homossexuais quanto heterossexuais.
Muitos homens e mulheres indicados pela Sociedade como heterossexuais, mas que em muitos casos ficam no “armário”, como se costuma dizer, podem ficar nesse estado a vida toda, sem nenhuma manifestação prática, embora dentro de si, ele(a) traga guardado em secreto segredo o seu desejo. Neste caso pode haver duas situações:

- a situação em que a pessoa tem conhecimento de seus desejos secretos, porém se de sua índole brotar a mansidão, ela procurará ser compreensível com a condição da homossexualidade alheia. No máximo, em algumas situações esporádicas poderá tecer algum comentário mais picante, ou quem sabe satírico sobre o assunto, porém nunca de forma violenta e pejorativa.

- em contrapartida há pessoas que vivem a mesma situação interior, porém trazem características maléficas em sua índole, nesse caso o que brota é a raiva e o ódio, que na verdade não é pelo outro (o homossexual), mas por ela própria, por não ter coragem de admitir e aceitar o que realmente é. Talvez, bem lá no fundo, pessoas assim sintam grande admiração pela coragem do outro, e o real ódio seja por si mesma.

Há também as pessoas que têm inveja da liberdade do homossexual (ou suposta liberdade). O homossexual geralmente é auto-suficiente, tem bom emprego, não tem gastos com filhos, viaja muito, tem um nível cultural satisfatório, quase nunca se prende em um relacionamento, é sensível a ponto de conseguir compreender tanto um homem quanto uma mulher, veste-se bem, já que não tem compromisso com filhos, mora bem, e tantas outras “vantagens”, vamos dizer assim, em relação a muitos heterossexuais. Isso tudo incomoda.

Gostaria aqui de abrir um parêntese, e destacar uma situação interessante. Existem mulheres que vivem se apaixonando por homossexuais, eu conheço várias. Por que será? Bem, esse é um assunto para outro texto.

Por fim eu gostaria de colocar uma outra hipótese, entretanto devo dizer que não tenho conhecimento para tratar sobre tal assunto, mas seria interessante ler algum artigo de um psicólogo para desmembrar o tema. Estou me referindo ao falocentrismo, um conceito que traz como universo o gênero masculino, e tão somente o masculino como referência. Muito interessante, e eu gostaria de aprender mais sobre esse tema, estou lendo a respeito.

Procurei tratar aqui nesses dois textos sobre algumas hipóteses, que considero significativas para tentar entender essa infundada incompreensão e intolerância, acerca da homossexualidade, pois não consigo conceber que no alvorecer do século XXI ainda existam tantas pessoas sectárias neste planeta. Na primeira parte do texto, falei bastante sobre a cultura religiosa em razão de ter lido as centenas de comentários deixados pelas pessoas, por ocasião das polêmicas (para não dizer outra coisa) palavras de um certo deputado, relacionadas à homossexualidade. A maioria das pessoas que compactuam da mesma opinião dele foi unânime em citar Deus, a natureza humana e o pecado, por essa razão resolvi escrever sobre o assunto. Sei que elas não lerão esses textos, e pelo que percebi no tom dos comentários, posso dizer que nem ao menos o livro de que tanto falam lêem, mas fica aqui a minha indignação, mesmo que seja apenas para mim.
Se por acaso alguém se interessar pelo tema, e tiver outras hipóteses, por favor, fique à vontade.

Em tempo: Em 2010, 260 gays, travestis e lésbicas foram assassinados no Brasil. De acordo com um relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), a cada um dia e meio um homossexual brasileiro é morto. Nos últimos cinco anos, houve aumento de 113% no número de assassinatos de homossexuais. Apenas nos três primeiros meses de 2011 foram 65 assassinatos.

Texto: Geraldo Ráiss

3 comentários:

  1. Quando a sociedade estabeleceu um modelo de normalidade, criou uma guerra antropológica com a natureza humana.
    A diversidade natural é real e em torno dela age a funcionalidade da ecologia, que trabalha em favor do progresso de todos.
    Cada um de nós é unico, com um temperamento original relativo as necessidades essenciais do progresso pessoal e coletivo.
    Quem resolve seguir o modelo se ilude bloqueando a expressão de sua alma, criando insegurança, doença, desilusão e sofrimento.
    Os iludidos dão mais importância às aparências do que à verdade que prioriza os valores eternos do espírito.
    Servos do mundo, sofrem o mundo.
    Em razão disso, quem assume sua verdade e age de acordo com os valores da Vida, mesmo enfrentando o preconceito e pagando O PREÇO DE SER DIFERENTE, passa credibilidade,obtém respeito e se realiza.
    Porém os escravos do preconceito estão se candidatando no futuro a experimentar as mesmas esperiências que criticaram, a fim de aprender a conviver com as diferenças.
    FRATERNIDADE é o resultado da capacidade de apreciar as diferenças.
    Autor: Luiz Gaspareto
    Da contra capa do livro O PREÇO DE SER DIFERENTE de Mônica de Castro ditado por Leonel - Editora gráfica: Vida & Consciência

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  2. De tempos em tempos surgem homens de gênio que plantam as ideias. Depois surgem homens com autoridade que discutem e colocam essas ideias em pratica para o progresso da humanidade. Comentário da questão 789 do Livro dos Espíritos. Eu acredito! É assim que a humanidade avança.....
    Boa noite..Abraços...

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  3. Esse é um tema que causa grande indignação às pessoas.

    Na minha opinião, a maioria, senão a totalidade das pessoas que andam agredindo os homossexuais desta maneira tão trágica, tem dentro de si, também um homossexual, como vc citou no seu texto. Escondem-se cada vez mais atrás de músculos, pois estes, mostram como são "machos", "virís", será que por trás de tanta vaidade, não está esse "eu interior" inconfessável?

    Se cada um tomasse conta de suas vidas, a VIDA de todos seria tão melhor!!!

    Boa noite!!!

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