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setembro 03, 2011

Depois do advento da Internet o mundo pareceu ficar pequeno, e ficou mesmo, em todos os sentidos. O que a princípio foi criado aparentemente para aproximar as pessoas, acabou isolando-as, cada qual fechada quase hermeticamente em frente a uma tela de computador. O mundo mudou, tecnologicamente falando, entretanto as pessoas não. Estamos cada vez mais “plugados” a outros, porém cada vez mais solitários. Participamos de sites de relacionamento, fóruns, blogs, contudo sempre em frente a uma tela, e o verdadeiro relacionamento, onde foi parar? Cada pessoa que conhecemos virtualmente nos traz a sensação de que de agora em diante tudo irá mudar, ledo engano, pois esse mesmo pensamento permeia a mente desse mais novo amigo, e do amigo desse amigo, e assim por diante. Realmente e literalmente é uma rede, não poderia ser conceituada de outra forma. O que antes dava a impressão de ser seguro, hoje já não é mais, acabamos por trazer a violência lá de fora para dentro da nossa casa através dessa suposta tela inofensiva, e o que parecia ser a liberdade virou prisão, e para alguns o vício da prisão.

Como conhecer a nós próprios, sem conhecermos outras pessoas? Sim, estou falando do contacto físico, do toque, do diálogo “olho no olho”, das sensações imediatas das emoções, da afinidade e discórdia presentes, e não a virtual. Pesquisas e estudos apontam um quadro vertiginosamente crescente de pessoas freqüentando clínicas de terapia, por quê? A resposta para esse fenômeno não é tão difícil de ser encontrada: a solidão. A solidão e a impotência de estar diante de uma imensa vitrine virtual de seres humanos e não poder ter acesso direto, sendo que esse contacto pode durar algumas semanas, dias, horas, ou míseros minutos. E essa vã esperança momentânea pode acabar se transformando em sentimentos de rejeição, comiseração, e finalmente a depressão. Pois é, nesse instante fomos fisgados pela “rede”. Muitos não se dão conta desse fato imediatamente, e vão tentando, tentando, até que chega aquele momento do “agora não dá mais, estou sozinho, eu comigo mesmo”. E agora, o que fazer para reverter esse estado depressivo? Aqueles que têm condição financeira partem para os consultórios, os que não têm, bem, não sei exatamente, talvez encontrem um pequeno alívio nas fluoxetinas da vida, até quando eu também não sei.  

E já que aquilo que parecia ser grande num primeiro momento, e acabou se tornando ilusório, pequeno e solitário, chamaremos de nosso mundo particular, ou seja, resumindo “eu, comigo mesmo”. Depois de tantas voltas pela rede do vasto mundo, acabei sendo forçado a voltar para mim, creio que não poderia ser diferente, já que o ponto de partida reside dentro de mim.  Escrevi tudo isso apenas para dar uma “dica” de leitura, e para aqueles mais fissurados no visualístico (essa palavra não existe, mas gosto dela), estou querendo dizer “as pessoas que assimilam melhor através do visual”,  nada mais contemporâneo do que Nietzche. Não conheço sua obra, mas me identifico com ele. O livro de Irvin D. Yalom – Quando Nietzche chorou, ou o filme homônimo. Abaixo, um vídeo de alguns minutos do filme, mas antes, algumas frases de Nietzche. 

" Ao matar seus demônios, cuidado para não destruir o que há de melhor em você".
"... mas preciso de magia. Não consigo viver em preto e branco".
"A civilização se refugia em verdades que não passam de ilusões. O homem só se torna senhor de si ao se libertar delas e abraçar as próprias mentiras".
"Com frequência a sensualidade precipita o crescimento do amor, de modo que a raiz permanece fraca e é facilmente arrancada"
"Ouse conquistar a si mesmo".


Texto: Geraldo Ráiss

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