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setembro 03, 2011

Neste último mês de maio foi adiada a votação do Parlamento de Uganda em relação à lei da pena de morte para homossexuais. Vejam: foi “apenas adiada”.
É no mínimo estarrecedor saber que em pleno século XXI ainda temos que ver esse tipo de realidade, e não é só em Uganda, alguns países árabes mantêm esse tipo de intolerância. Em nome do que, ou de quem? Que justificativas teriam esses governos para demonstrarem tamanha intolerância? Essas são perguntas difíceis de serem respondidas. Ou não? Seja lá como for não deixa de ser uma horrenda realidade.


Quando li a notícia na Folha on Line, fiz questão de ler também os inúmeros comentários dos leitores, e para minha indignação me deparei com ideias tão retrógradas e maldosas, que não tive coragem, ou forças, para continuar a leitura. Li coisas do tipo: “...tem que ser assim mesmo, essa raça deve ser dizimada...”, ou “...está certo, Deus criou o homem e a mulher, e não um terceiro sexo...”, ou “...Hitler estava certo...”, e ainda “...esse povo tem que morrer mesmo, já que propagou a AIDS pelo mundo todo...”, e mais “...a Bíblia diz isso, a Bíblia diz aquilo...”.

Meu Deus! (agora sou eu quem exclama), será que esse Deus extremista (o deles, não o meu), é tão radical assim? Por acaso esse mesmo livro não fala em compreensão, tolerância, perdão, misericórdia, enfim, Amor? O pior é saber que são pessoas do nosso país que pensam dessa forma, são pessoas que não vivenciaram guerras, extermínio por conta de racismo e credos, e aí fico pensando se não é exatamente por esse motivo que pensam desse jeito. Esses indivíduos têm por acaso uma “procuração” de Deus para se acharem no direito de julgar o semelhante? Será que sabem realmente quem é Deus? É impressionante e assustador a paixão e a impetuosidade com que falam esses indivíduos.
Será que o deputado David Bahati, autor dessa odiosa lei, e seus afins pelo mundo todo se consideram tão acima de qualquer outro ser humano, ou talvez acreditem serem tão “evoluídos” ao ponto de se julgarem aptos a tirarem a vida de quem apenas quer viver? Não, não pode ser isso, porque se assim fossem não estariam vivendo no planeta Terra, ou será o contrário? Será que estão aqui por exatamente não o serem?

Que tão grande mal pode fazer um homossexual à humanidade, que seja diferente do que pode ser cometido por um heterossexual? Onde está a diferença? Na orientação sexual? Esse seria o grande motivo para perder o direito à vida? A Bíblia diz que o Homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, e aí eu pergunto: qual seria o modelo padrão, o homem ou a mulher? Por acaso seria o loiro de olhos azuis, o magro ou o gordo, o branco ou o negro, seria o amarelo, o índio? De qual etnia seria esse modelo? Fico pasmo diante de tanta insensatez e ignorância! Que tipo de ódio é capaz de mover pessoas assim? Arrogância.
Sinceramente eu gostaria de saber como agiria um indivíduo desses, o tal autor dessa odiosa lei, ao se deparar em um tribunal com o próprio filho homossexual. Ao se deparar com aquele que ele deu todo seu carinho quando criança, deu lhe a vida, o estudo, os ensinamentos, o apoio nas horas de necessidade, aquele a quem viu crescer e amou, e que agora teria de dizimá-lo da face da Terra por nada, pelo simples motivo dessa criança querer ser o que é. Triste seria essa situação, mas infelizmente seria a única maneira de um indivíduo desses saber mais sobre quem lhe deu a vida, Deus! Não o semi-deus dele, mas o Deus complacente.

E finalmente eu gostaria de enfatizar o meu receio, apreensão quanto ao assunto homofobia; espero que no Brasil não se levante de sua poltrona prateada nenhum “ser” enviado do Umbral (Inferno dos católicos), para ressuscitar mais uma vez episódios trágicos da humanidade, como a Santa Inquisição e o Holocausto, dessa vez contra pessoas “diferentes” do seu padrão malévolo de enxergar aquilo que lhe seja contrário acreditar ser o correto. Que esse “ser” seja barrado imediatamente, antes que sua popularidade cresça, pois o mundo já presenciou emergentes assim num passado não tão distante, e não podemos esquecer que naquela época não havia mídia rápida como existe hoje, que mesmo sendo contrária a tais ideias trevosas não deixa de ser um veiculo poderoso para promoção.

Em tempo:

(1) mais de 250 homossexuais foram assassinados no Brasil em 2.010.
(2) Em 26 de janeiro, o ativista gay David Kato foi assassinado em sua casa na cidade de Mukono, a 24 quilômetros ao leste de Campala.
(3) No país africano, a homossexualidade já é crime, punida com multas e prisão. De tão ridículo não merece comentários.
(4) Uma petição online contra a lei, criada pela rede de ativistas Avaaz.org, ganhou 2 milhões de assinaturas

Texto: Geraldo Ráiss

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