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setembro 01, 2011


Sabe aquelas pessoas que de vez em quando batem à sua porta para “divulgar” a palavra de Deus? Pois bem, outro dia uma delas, que no caso era um rapaz, me fez uma dessas visitas inesperadas (às oito horas da manhã), e como naquele dia eu estava com bons ânimos, digamos assim, resolvi atender. Logo após os cumprimentos já veio a pergunta: “Quem o senhor acha que está regendo o mundo, Deus ou Satanás?” Poxa, confesso que a rapidez da pergunta me chocou um pouco, mas resolvi colocar meus neurônios imediatamente para trabalharem, pensei por um instante, procurei ficar calmo, e então respondi.

Veja bem meu amigo, comecei, se eu te disser que é Satanás (é assim que eles falam) você irá questionar a minha fé, e isso será um prato cheio para você iniciar sua fala eloqüente e decorada. Se eu te responder que é Deus, quem irá te questionar sou eu, já que colocando essa hipótese você há de convir que o poder das trevas é superior ao poder de Deus, haja vista tanta maldade no mundo. E então, como ficamos? Questionei.

Nesse momento percebi algo se transformar, aquele olhar que antes trazia um quê de sabedoria das Escrituras agora me parecia um tanto quanto confuso, e as palavras teimavam em sair de sua boca em meio a alguns gaguejos, ficando claro seu arrependimento por ter batido na porta errada. E antes que ele começasse seu discurso, agora um pouco fora do decorado, eu me antecipei dizendo: “Você há de me desculpar, mas não seria o caso de ver as coisas por uma ótica diferente? Ou seja, ao invés de culpar Deus ou Satanás, por que não refletir mais profundamente sobre o ser humano? Será que não seríamos nós os verdadeiros culpados (se é que existe culpa) em transformar a aura do planeta em tão baixa freqüência? Por acaso não é pregada a lei do livre arbítrio? Sendo assim... O que você acha? Perguntei.”

No entanto, antes de sua resposta decidi continuar: “Você não acha muito simplista a ideia de atribuir toda responsabilidade do mal praticado a um único Ser? Onde entraria aí a nossa própria maldade? Pensando da sua maneira, meu caro amigo, fica explícito a nossa completa vulnerabilidade em sermos manipulados totalmente, e onde estariam os nossos próprios desejos ou tendências, tanto para o bem quanto para o mal? Eu não devo negar que sofremos influências negativas algumas vezes, pois assim estaria contrariando a doutrina que resolvi seguir, contudo não acredito que agimos constantemente sob tais domínios, se assim fosse aonde andaria meu próprio controle?
E em relação ao planeta, devo acrescentar que, sendo um imenso corpo que é, está sujeito a armazenar energia de todas as formas, através de atos e pensamentos dos seus habitantes, sendo tais energias capazes de modificar seu imenso campo energético. É a lei da ação e reação, e vale tanto para o microcosmo quanto para o macro. Mente sã, corpo são. O planeta adoeceu.

Ouvindo minhas últimas palavras o rapaz manifestou ares de contentamento, já que deixei claro minha linha de pensamento dentro da doutrina espírita, e antes que ele pudesse tecer qualquer comentário a respeito, ou talvez algum tipo de reprovação, eu continuei: “Vamos fazer o seguinte, eu respeito sua forma de pensar, e você respeita a minha, certo?”
Ele assentiu com um gesto positivo.

Só mais uma coisa, finalizei, não permita que ideias de terceiros sobreponham as suas, reflita sobre todas as hipóteses possíveis, use aquilo que Deus lhe deu como prêmio, seu raciocínio, e mesmo que você não aceite outras maneiras de pensar, pelo menos as questione. Não somos obrigados a concordar com o que o outro pensa, mas temos o dever de, no mínimo pensar a respeito, do contrário nos tornamos marionetes de interesses egoístas, que no fim apenas estes serão os privilegiados.

E foi assim que terminou a visita do rapaz, que eu acredito, nunca mais irá bater à minha porta.
Devo acrescentar que essa história aconteceu realmente, não é apenas um texto imaginário, e você, caro leitor, é livre para aceitar ou não, meu argumento.

Texto: Geraldo Ráiss



1 comentários:

  1. Acho que vc devia fugir desse rotulo "espirita". Eu li as ideias e achei muito coerente. Mas quando vc demonstrar ter uma crença grupal, as pessoas confundem sua capacidade de pensar, com a de representar.
    Sinceramente, gostei, eu não sou espírita e nem crente. Eu concordo muito com seu ponto de vista, e não vejo motivos para até mesmo esse visitante concordar. Não há nada incoerente, apenas uma linguagem sua. Mas o contexto não esta fora da realidade.

    Essa coisa de energia, é muito real. O estimulo interior das pessoas, é só parar pra observar, como isso pode mudar a tonalidade do nosso dia. Mas se eu disser que sou espírita, para quem estiver me ouvindo, eu "não tenho" mais essas ideias, mas eu apenas ás represento. É assim que nomes de grupos destroem seu direito de ser ouvido, e acontece em todas, todas as crenças.

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